7.11.16

Dotz: o pior programa de fidelidade do Brasil

Esse programa Dotz é uma bomba!

Quem me conhece sabe que gosto de viajar e aproveito cada oportunidade que tenho para dar uma escapada, para perto ou para longe. Por isso estou sempre ligado em promoções de passagens, hospedagens, etc. Uso muito meu cartão de crédito em compras rotineiras pra ganhar pontos em programas de fidelidade. Sempre que me pedem dicas eu falo com o maior prazer. Estou longe de ser um expert no assunto, mas tenho umas boas dicas. Um dia pretendo escrever mais sobre isso.

Hoje quero apenas destacar um ponto fora da curva nos programas de fidelidade – infelizmente, um ponto negativo. Trata-se do Dotz, o pior programa de fidelidade do Brasil, e o primeiro do qual farei questão de me descadastrar assim que conseguir o milagre de obter um resgate dos pontos que tenho.

O Dotz não respeita as promoções que ele mesmo cria, tem um site péssimo e um atendimento ao consumidor horrível, que não resolve os problemas que eles próprios criam. Hoje desisti de resolver um problema que eles insistem em não solucionar, depois de horas perdidas no telefone e mais de quatro protocolos de atendimento nos últimos meses – sobre a mesma questão!

Então, meus amigos, tenham isso em mente. Fujam do Dotz! Se você é cliente do Banco do Brasil confira se foi colocado na tal “conversão automática” de pontos para o programa e desabilite imediatamente. Seus pontos merecem muito mais ir pra Multiplus, Smiles, Voe Azul, Amigo, ou até mesmo a nova opção do Livelo. Nestes programas vocês encontram resgates mais interessantes e baratos, além de respeito ao cliente (artigo que está em falta na Dotz).

Pra viajar bem é importante tem um bom planejamento e saber escapar de roubadas. Por isso alerto os amigos que o Dotz é uma grande furada! #ficaadica

4.11.16

Taxa de rolha em restaurantes de Belo Horizonte


Belo Horizonte é conhecida como a capital nacional com o maior número de bares por habitante. Buteco é o que não falta por aqui, e isso é ótimo! O que nem todo mundo sabe é que BH também tem um número considerável de ótimos restaurantes que oferecem ambiente agradável a peço justo. Há pratos muito bem servidos que não exigem que você deixe um rim no caixa para ficar bem satisfeito.

Por outro lado, um item que costuma pesar na conta é a bebida, especialmente pra quem gosta de um bom vinho á mesa. É muito comum você ver na carta de vinhos ser vendido por trocentos reais aquele vinho chileno que você comprou a menos da metade do preço. Por isso, quem quer comer e beber bem e, ainda assim, economizar bons reais pode se ligar na possibilidade de o restaurante isentar a cobrança da taxa de rolha.

A taxa de rolha é um valor cobrado pelo restaurante quando o cliente traz de casa sua própria bebida. Há diversos estabelecimentos que isentam o cliente desta taxa ou cobram um valor baixo, de forma que vale a pena você atacar sua adega antes de sair de casa. E não é vergonha alguma chegar ao lugar com sua(s) garrafa(s), afinal bons restaurantes preferem garantir a satisfação de seus clientes à mesa sem qualquer constrangimento.

Há um bom aplicativo que informa os valores cobrados em alguns restaurantes e também lugares que isentam a taxa de rolha chamado... Taxa de Rolha! Vale a pena baixar e conferir para planejar a próxima saída.

Por fim, reproduzo abaixo uma lista recentemente publicada no Facebook pela amiga Márcia Morato, com valores que ela pesquisou de alguns lugares de BH.


Taxa de Rolha - BH - Setembro/2016
- Mercearia 130: R$30,00
- Casa Cheia- R$25,00
- Parrilla del Mercado - R$35,00
- Alguidares - Nao cobra taxa, sugere gorjeta para o garçom.
- Santa Fe - R$40,00
- Restaurante do Porto - R$ 25,00
- Badejo - R$30,00
- 2016 - R$30,00
- Saatore - R$20,00
- Sargas - Nao cobra rolha se há consumo no restaurante
- Hokkaido (Ponteio) - R$ 25,00
- Surubim na Brasa - R$30,00
- Galeto Italia - R$30,00
- Xapuri - R$ 39,90
- Fogo de Chao - R$50,00
- Provincia di Salerno - R$80,00
- Pacifico Bar Cafe - R$40,00
- Baiana do Acaraje - R$30,00
- O Varandao (Hotel Othon) - R$ 60,00
- Olegário Jardins - R$40,00
- Gomide - isenta em qualquer dia desde que não esteja participando de alguma promoção (Restaurant Week, Duo Gourmet, etc)
- O Conde - R$50,00
- Un' altra volta - Nao informou o valor mas aceita negociar, libera a rolha dependendo do dia.
- Monjardim - R$ 35,00
- Ah! Bon - R$35,00
- Benvindo - R$80,00
- Republica da Esbornia - R$20,00 (confirmar)
- La Macelleria - R$40,00
- Est Est Est - R$60,00 para vinhos italianos e R$200,00 para vinhos não italianos
- Borracharia Gastropub: rolha free de terça a quinta para consumo de prato.
- Verona Pasta e Pizza: não cobra rolha, deixe uma gorjeta para o garçom.
- Sapore D'Itália: não cobra rolha, mas pela utilização das taças de cristal.cobra três reais.
- Allora (antigo Massa Nostra): não cobra rolha.
- Quintal do Prado: não cobra rolha.
- Cantina Piacenza: de terça a quinta não cobra rolha.
- Hemengarda: de terça a quinta não cobra rolha.
- Osteria Mattiazzi: rolha free quinta (na terça e na quarta, por 80,00, há menu completo com vinho ou espumante da casa liberado à vontade).
-68 Pizzaria: negociada isenção ou redução por consumo na casa. Membros do clube de vinhos Sociedade da Mesa não pagam rolha.
- Degli Angeli Cantina: idem acima.
- Divino: negociada isenção ou redução por consumo na casa. Membros do clube de vinhos Sociedade da Mesa não pagam rolha.
- L' Entrecôte de Paris: idem acima.
- Vila Rica (Av. Fleming): negociada isenção ou redução por.consumo na casa. Membros do clube de vinhos.Sociedade da Mesa não pagam rolha.
- Porcão BH: não cobra rolha para vinhos comprados no Super Nosso (cliente pode levar o vinho que comprou na rede de supermercados Super Nosso).
- Madero (BH Shopping) - Não cobra rolha.
- Rancho do Boi R$50,00 (se negociar, em dias de semana, R$30,00).
- Alma Chef R$70,00
- Glouton R$60,00
- Trindade - Rolha Free
- Quinto do Ouro R$28,00
- Parada do Cardoso R$25,00
- Museu Abilio Barreto: Rolha Free
- Villa Real Nova Lima: Rolha Free
- Paratella: R$40,00. Consumindo um vinho da casa, rolha free
- Armazem Numero Oito - Rolha Free
- Buffet Baghwan - Não falam português

4.8.16

Realidade Aumentada (ou O Chamado de Charmander)

Charmander

Arnaldo praticamente não saia de casa havia três meses. Desde que Lívia terminou o namoro de cinco anos, na véspera de embarcar para um mestrado em Londres, seus dias perderam o sentido. Não foi se despedir dela no aeroporto, mas acompanhava seus passos pelas redes sociais. Nutria a esperança de que reatassem quando ela voltasse. Curtia e comentava cada postagem, na esperança de manter vivo o contato e acesa a esperança, até que ela decidiu bloqueá-lo. Ela até que gostava do assédio, mas o irlandês Richard (colega de classe e atual date) ficava muito incomodado com aquele fucking stalker.

Cara inteligente, mas introspectivo, Arnaldo passou pela faculdade sem fazer novos amigos. Tinha os antigos, do ensino médio. Na sua turma de colégio era o único “certinho de exatas” em meio aos “malucos de humanas”. Seria um forte candidato a sofrer bullyng, mas foi salvo pelas amizades sinceras e pelas colas nas provas de física.

Formado, conseguiu emprego numa empresa indiana, desenvolvendo projetos do computador de casa e respondendo diretamente à matriz, em Bombaim. Tinha a vantagem de que os chefes estavam longe e a desvantagem de lidar com o fuso e o confuso inglês dos indianos, cujo sotaque parecia ainda mais travado quando picava a conexão via Skype.

O home office, os horários malucos e o pé na bunda formaram a combinação perfeita pra se enfurnar no apartamento. Passou a viver ligado a aparelhos. Computador. Smartphone. SmartTV. Internet banking pra pagar as contas. iFood pra pedir comida. Diminuiu a frequência que a lavanderia pegava as roupas em casa, pois passava a maior parte do tempo com o mesmo pijama. Delivery, aliás, já era seu sobrenome, até pra comprar desodorante, papel higiênico e outros itens para os quais ainda não há aplicativo pra resolver o problema.

Os amigos já tinham desistido de tirá-lo do seu ninho. Bares e baladas não o atraiam. Mesmo quando estava com Lívia saíam pouco (na verdade, ele saia pouco, e ela era vista por aí com mais frequência). Talvez outro relacionamento pudesse ajudar. Já que ele gostava tanto de aplicativos, foi convencido a se cadastrar no Tinder, no WeChat, no Happn... nada o empolgou. Teve um mais empolgado que sugeriu entrar no Manhunt e no Grindr. Arnaldo preferiu nem tentar!

Netflix virou seu companheiro fiel. Seus voos mais altos, ele alcançava pelo Angry Birds. Quando perguntavam se ele não queria uma vida nova, ele agradecia e pedia pra enviar no Candy Crush. Vivia cada vez mais à vontade no mundo virtual.

Não se achava triste, muito menos depressivo. Sentia falta de Lívia, mas aos poucos percebeu que era apenas um vazio, mas não era saudade. Para os amigos tinha Facebook (pra mandar parabéns nos aniversários em que invariavelmente não comparecia) e Whatsapp (embora mantivesse quase todos grupos de conversa no silencioso). Arnaldo sentia-se autossuficiente a ponto de não querer uma nova namorada, nem mesmo uma paquera sem compromisso. Arnaldo tinha o mundo em suas mãos, ao alcance de seu wi-fi.

Até que algo aconteceu quando instalou o tão falado aplicaivo Pokemon Go. Nunca foi fã desses bichinhos, não assistia aos desenhos e só conhecia o Pikachu por meio de meia dúzia de piadinhas de duplo sentido. Mesmo assim, sentiu algo estranho quando viu, pela tela do celular, um Charmander pulando na sua cama. Era um estranho bichinho alaranjado, de dentes afiados, olhos arregalados e fogo no rabo. Gastou algumas pokebolas para capturá-lo. Nesse momento, Arnaldo teve uma sensação de conquista que há muito não sentia, e aquilo entrou na sua corrente sanguínea como um vírus que a moça do Avast não detectou.

Logo procurava mais alvos na tela do telefone. Descobriu haver um pokestop a dois quarteirões de casa, e uma academia de pokemons numa praça a cinco minutos de distância. Era uma noite quente, sem nuvens. Cancelou a pizza que pedira um pouco antes, trocou de roupa e foi à caça. Caçou mais três monstrinhos na rua, descobriu como conseguir mais itens e, de quebra, descobriu monumentos na cidade para os quais nunca tinha prestado atenção.

Pela lente da realidade aumentada, os pequenos demônios foram guias de praças, estátuas, grafites e um café recém-inaugurado. Ao final das baterias (das pernas e do telefone) resolveu sentar no lugar. Chamou o garçom, pediu uma porção de fritas com queijo e bacon, e uma tulipa de chope. Sentado na calçada viu passar viu passar Marcela, uma antiga amiga “de humanas” de quem não tinha notícias há anos (pelo menos desde o fim o Orkut, última rede social que ela entrou).

Reencontro. Troca de olhares. Troca de sorrisos. Casos. Outro chope. Mais batatas. Mais casos. A saideira. O convite. A conta. A gorjeta. A noite em claro.

Arnaldo acabara de entrar em uma nova fase.

31.7.16

Projeto Aproxima - Tainha com Sardinha 2016


Neste domingo aconteceu na Casa Bernardi mais um evento do Projeto Aproxima em Belo Horizonte. Desta vez foi a edição 2016 do "Tainha com Sardinha", versão beneficente do projeto, em benefício do Hospital da Baleia e do Leuceminas.

Como em todos os eventos deste estilo em BH, essencial chegar super cedo para se conseguir uma mesa. Apesar do limite de vendas de camisetas (que serviam de ingressos), e do grande número de lugares, algumas pessoas ficaram de pé nos momentos de maior concentração - entre elas pessoas de mais idade.

O ambiente estava muito agradável, com som ambiente bem light e muita comida boa, servida à vontade. Desde o início as sardinhas eram fartas, servidas com molho escabeche e pãezinhos. A tainha assada não demorou a sair, servida no ponto, super macia.




Teve ainda um ceviche bem temperado e uma paella mineira, dois pratos que fizeram muito sucesso, mas pela forma de preparo não estavam disponíveis o tempo todo, gerando algumas filas. De tira gosto, uma kombi bem estilosa servia linguiças fatiadas bem disputadas, e neste caso as filas estavam mais a cargo de uma demora do pessoal que servia. Mas nada que atrapalhasse demais, ninguém morreu de fome esperando.






Todas as comidas estavam incluídas no ingresso, foram bem feitas e bem servidas. Apenas as bebidas eram cobradas separadamente, com algumas variedades de chopes e cervejas da Krug Bier, servidas geladas. Além, é claro, de água, refrigerantes  e sucos. Pra finalizar, na saída tinha expresso Dolce Gusto e brigadeiro de despedida.


Foi uma tarde super agradável, com música bacana, ótima comida, sem atropelos e por um boa causa. Interessante como os eventos do Projeto Aproxima são tão diferentes entre si. Só este ano, por exemplo, houve uma ótima edição na Casa Fiat de Cultura e uma péssima no Mercado Central. Tanta disparidade mostra que não há uma unidade na organização, e que é precisa uma boa dose de sorte para a coisa dar certo.

Nesta edição, sendo o acesso bastante limitado, parece que foi mais fácil acertar. O evento de hoje entra na lista dos acertos, com muitos méritos. Que sirva de inspiração para as próximas edições.

28.7.16

Paris 6 (horas de espera!)

P6BH

Esta semana foi inaugurada a filial mineira do badalado restaurante Paris 6, que já atende regularmente no Rio, em São Paulo e em Porto Alegre. Ele foi montado no Pátio Savassi, bem na saída da Rua Lavras, em frente ao Burguer King. Como já conhecíamos as versões carioca e paulista do lugar, eu e David resolvemos ir ontem na novata de BH, principalmente pra matar as saudades do Grand Gateau, sua sobremesa mais famosa e apreciada.

19:15. Chegamos ao Pátio Savassi. Uma mega fila na porta do restaurante. Normal, já que é novidade, muita gente a fim de conhecer... Só não contava que a fila não era pra entrar no Paris 6. A fila era pra entrar... NA FILA DE ESPERA DO PARIS 6! O restaurante usa um aplicativo que cria uma fila virtual, e que te avisa quando sua mesa está disponível.Quando chega a mensagem, você tem três minutos pra se apresentar, ou então perde a vez. Havia apenas uma pessoa pra cadastrar todos os pretendentes às 100 mesas do lugar.

A tentação do Burger King mora ao lado.

20:15. Depois de uma hora, conseguimos a grande vitória de conseguir entrar na fila virtual (até porque algumas pessoas já desistiam de entrar nesta fase). São 186 mesas na nossa frente, nenhuma previsão de chamada. Já que nossa vontade era mesmo de comer apenas a sobremesa, que tal comer algo antes em outro lugar? Saímos pela Savassi e paramos no Bar Ideal. Costela e outros petiscos pra forrar o estômago e passar o tempo. “Será que dá tempo de comer e voltar?” Parece que ouço Cumpadre Washington me alertando...

"Sabe de nada, inocente!"

21:30. Já de volta ao Pátio Savassi, a fila do lado de fora ainda estava enorme. A fila virtual indicava umas 150 mesas na nossa frente. Surge a ideia de ver o que está passando nos cinemas. Vai começar “A Lenda do Tarzan 3D”. E se a fila andar muito rápido? Ah, vamos ver mesmo assim! E sem pipoca, já que a barriga estava saciada.

Sobre o filme. O Tarzan saltando nos cipós entre as árvores não estava muito diferente do Homem Aranha soltando teias entre os prédios da cidade grande. Transformaram o homem das selvas em um Super Homem bombado, que se comunica com os animais, quase que por telepatia. Pega um pouquinho de Capitão América, misturado com Professor Xavier e Dr. Dolittle, bate tudo na selva africana e deixa o pau quebrar! Suficiente pra duas horas de distração.

"Jane, cadê a minha whey protein?"

23:40. De volta ao Paris 6. Ainda tem bastante gente na porta. O portão de ferro do shopping já está baixado. Pessoas espalhadas pelo corredor, de olho no celular e na fila virtual. São cerca de 100 mesas na nossa frente ainda. Será que vai? Agora é questão de honra. Uma hora vai!

Dá pra notar a animação da galera!

00:10. A fila avança devagar. Parece ter menos gente de verdade na espera. Muitas pessoas já tinham desistido, mas seu lugar “virtual” ainda estava ocupado. Tem que chamar, esperar, cancelar, pra depois chamar o seguinte. Quem não parece esperar é o pessoal do Patio, que apagou algumas das luzes do corredor. Demorou um pouquinho pra ligarem de novo. E e já estava me sentindo suuuper bem tratado...

Já está tarde! Que horas vão começar a distribuir as havaianas?

00:50. A fome já estava de volta. Resolveu fazer companhia ao cansaço, ao tédio e à teimosia. Resolvemos que já que esperamos tanto, vamos comer um prato também, aproveitando um voucher de desconto distribuído online dias antes. Amizade na fila pra passar o tempo e a frustração. Sete mesas de verdade esperando no corredor do shopping (devia ter umas quatro mesas esperando do lado de fora do Patio) e mais de 50 na fila virtual. Carga do celular já estava em 10%. A paciência um pouco menos que isso. Pessoal começa a pressionar mais a hostess, pois não havia sentido esperar um monte de clientes fantasmas online, fazendo nós, verdadeiros zumbis, passarmos fome com mesas vazias. Não, nenhum cérebro disponível pra tira-gosto.

01:25. Finalmente uma pessoa abençoada percebe que àquela altura do campeonato era melhor colocar pra dentro os remanescente. Depois pude conferir no aplicativo que este ato nos poupou de mais uns oito minutos de espera. Demorou? Imagina...

Ambiente bonito. Mas que não esconde falhas bem mais graves.

01:30. Pedimos os pratos que já tínhamos escolhido lá fora, antes de entrar. Os pratos lá têm nomes de artistas, esportistas, celebridades em geral. Uma grande graça de ir ao Paris 6 é poder falar depois “quem você comeu". (Paris 6ª série do ginásio...) Mas meu prato tinha o nome de “Mad House”, então pra mim perdeu um pouco a graça. David pediu “Tarcísio e Glória”, que já dava pra zoar bem mais. Bom humor era essencial.

02:00. Chegam os pratos. Excelentes! Dizem que a fome é o melhor tempero. Neste caso, nem precisava.

02:15. Pedimos as sobremesas. Um Grand Gateau “Bárbara Evans” pra comer lá mesmo e o cheesecake “Mariana Rios”, pra comer depois em casa.

03:00. Nada das meninas aparecerem. Só então a garçonete veio avisar que infelizmente não teria mais cheesecake, perguntando se a gente não queria pedir outra sobremesa. ÀQUELA HORA ELA VEIO AVISAR ISSO?!?! Preferimos não pedir nada e só esperar a outra.

03:20. Finalmente chega o grande motivo de tanta insistência. A grande estrela. A grande sobremesa. O Grand Gateau! A grande... DECEPÇÃO! Apresentação sofrível. O bolo totalmente assado, quando a característica do prato é exatamente a calda que deveria sair quando se coloca o picolé na massa sem assar totalmente. Nada parecido com as outras vezes que comemos no Rio ou em São Paulo. Foi pra isso que esperei tanto????

Cardápio de sobremesas. No alto, a Bárbara Evans, não deu bolo, mas VIROU BOLO!

Foi então que descobrimos que a casa tem um “chef de sobremesas”, que já tinha ido embora, e deixou os novatos com a receita nas mãos pra atender os últimos pedidos. Devolvemos o prato pela metade. Entregamos junto nossa frustração por inteiro.

RESUMINDO. A casa é linda. O ambiente é agradável. Os pratos estavam excelentes. As sobremesas foram uma frustração. E valeu a pena? NÃO. DEFINITIVAMENTE NÃO VAEU A PENA! O P6BH tem um excelente produto em mãos, mas não tem um décimo da competência pra lidar com uma demanda claramente acima de sua capacidade. E nenhum restaurante do mundo vale uma espera de mais de seis horas pra entrar, sem contar a demora da comida quando já se está instalado, por melhor que ela seja. Se tivesse pegado um voo pra São Paulo seria atendido mais rápido!

A experiência foi péssima e não volto tão cedo. Quem sabe depois que a modinha passar. Depois que o atendimento agilizar. Depois que alcançarem o mesmo padrão dos outros restaurantes da rede. O P6BH ainda tem MUITO o que melhorar, e sinceramente acredito que vão conseguir. Torço por isso. Vai levar algum tempo. Não tem problema. Eu sei esperar.

5.10.15

Fartura nas Praças



Algo pitoresco acontece em Belo Horizonte quando se trata de realização de bons eventos. Há semanas em que nada de interessante acontece. Há outras, no entanto, que tudo acorre ao mesmo tempo. Na cena gastronômica, o último final de semana foi um belo exemplo. Dois festivais, com alguma tradição, aconteceram simultaneamente em duas praças de BH, dividindo o mesmo público que procura diversão e boa comida, num ambiente bacana, ao ar livre. Pelo menos eles ocorreram nos dois dias, então pude conferir um pouco de cada um, pra tirar algumas conclusões.


No sábado fui ao Festival Fartura BH, que aconteceu próximo à Praça da Liberdade, bem ao lado do Palácio. Uma estrutura enorme, muito bem montada, dava ao visitante a possibilidade de provar pratos de restaurantes de várias partes do Brasil. Havia opções para todos os gostos e bolsos. Atrações culturais também deram o tom da festa, mas quem não queria saber de música podia se abrigar em algum canto longe do som.  A edição deste ano repetiu, para mim, a boa impressão deixada na edição do ano passado, tanto nas boas opções de comidas, quanto no ambiente agradável.


No domingo fui ao Gastronomia na Praça, que aconteceu na Praça do Papa. Aos pés da Serra do Curral, o festival tinha uma boa estrutura, mas logo se mostrava bem mais modesto que o concorrente que havia visitado na véspera. No ano passado, a edição realizada na Praça da Pampulha tinha opções bem melhores de pratos, um som mais agradável e clima mais bacana. Este ano, parecia mais um festival de "comida de buteco", opções boas de petiscos e poucos pratos de verdade. Eu, por exemplo, adoro nachos com queijo, tropeiro, sanduíche, linguiça com torresmo... mas chamar de "alta gastronomia" é uma forçar a barra. Além disso, o som não estava dos melhores, juntando som algo com cantores desafinados. Pra finalizar, a disposição de tapumes e stands sequer deixada o público aprecias a belíssima vista da cidade, o que deveria ser um ponto forte do local escolhido.


Em comum em ambos os eventos se percebia a carência de Belo Horizonte para acontecimentos dessa natureza. Nos dois casos cheguei muito cedo e, mesmo assim, quase não consegui uma mesa para me acomodar, com menos de 10 minutos de "abertura de portões". Nos dois dias acabei dividindo o espaço que consegui com outras pessoas, já que era chato ver gente tentando equilibrar prato, talher, copo, garrafa, etc., sem um lugar pra se apoiar. Mas não sobravam mesas com dez lugares e uma pessoa sentada, guardando lugar pro "pessoal que está chegando", que "já está ocupado" de amigos fantasmas que nunca apareciam, enquanto senhoras permaneciam em pé no sol quente.

Por melhor que seja a estrutura disponibilizada, a fome dos belorizontinos por algo diferente tem tornados eventos dessa natureza um exercício de paciência e um teste de civilidade e convivência, para o qual muitos não se mostram realmente preparados.